sexta-feira, 26 de setembro de 2014

VOZES


Se alguém afirmar publicamente que ouve vozes é imediatamente rotulado de louco, pela sociedade.
Ouvir vozes está fortemente conotado com  esquizofrenia e outras demências ou debilidades mentais.


Mas, o ouvir vozes ou até ter visões está, também, relacionado com determinadas crenças ou práticas de algumas religiões e correntes místicas e espiritualistas, tais como o espiritismo  ou o xamanismo. 
Na maior parte das sociedades, o senso comum diz que tudo isto são disparates de pessoas demasiado crédulas ou débeis emocional, espiritual ou mentalmente.
                                     
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       
No entanto, figuras maiores da religião, respeitadas e veneradas por grande número de pessoas, como Joana d'Arc ou Santa Teresa de Ávila, afirmavam ter conversas com Deus, atingindo estados de profundo êxtase e distanciamento do mundo material. 
Segundo a Bíblia, Moisés falou com Deus no alto do Monte Sinai e Nossa Senhora recebeu a visita do Anjo, o qual lhe veio trazer a Boa Nova.
Estes são apenas alguns, dos muitos, exemplos de figuras históricas, bem conhecidas, respeitadas ou veneradas, que asseguraram ter ouvido vozes ou tido visões. Paradoxalmente, as suas versões, desses acontecimentos, foram e são aceites, sem grandes juízos de valor, por muitos daqueles que asseveravam ou asseveram, sem qualquer sombra de dúvida, que quem ouve vozes é louco.

Artista - Yuhon
Se sairmos desta zona de conforto, das personagens históricas, e nos debruçarmos sobre uma realidade mais próxima e corriqueira, com quem falamos nós quando dizemos ter "conversas com os nossos botões"?
De quem é a voz com quem tantas vezes argumentamos, quando estamos sozinhos?
Ou a voz interior que nos crítica, desmotiva e nos faz sentir envergonhados?
Ou, aquela outra que nos acalma, conforta, dá força e nos faz ver as coisas numa outra perspetiva?
Ou ainda a outra que nos dá sábios conselhos, nos ajuda desvendar mistérios, ou que connosco coopera  para que alcancemos os nossos objetivos?
Poderemos responder a todas estas questões, dizendo que esta voz é sempre a mesma e nada mais é do que o nosso pensamento e capacidade raciocinar. Essa é a resposta fácil, que nunca nos compromete, nem obriga a fazer grandes análises ou dar complexas explicações.
Mas, quantas vezes esta voz nos diz coisas que não temos qualquer consciência de saber?
Quantas vezes ela nos revela uma sabedoria para a qual não temos vivências suficientes?
Quanta vezes ela nos impele a que alteremos um projeto ou percurso, de uma forma que jamais havíamos pensado?
Quantas vezes ela nos incita para que ousemos arriscar, em busca do amor, da paz, ou da felicidade?
E, quantas vezes ela se cala, ou, pelo menos deixamos de a conseguir ouvir, tendo, então, a sensação de que ficámos sós e que essa sábia e reconfortante voz nos abandonou?
E, se Deus nos falasse, como conseguiríamos distinguir entre a sua Voz e o nosso pensamento?
Mas, se aceitarmos que Deus vive dentro de nós. Exatamente o mesmo Deus que criou os Universos. Exatamente o mesmo que nos rodeia. Aquele a quem pedimos ajuda e de quem esperamos o perdão. Então perceberemos que é a Ele que pertence aquela voz que nos acalma e guia, que nos faz sentir corajosos e amados, sempre que conseguimos  silenciar a nossa mente. 
Artista - Görsel; Rassoul


sábado, 20 de setembro de 2014

ACERCA DA FELICIDADE

"...As pessoas tendem a pensar que a felicidade é um golpe de sorte, algo que talvez desça sobre nós como o bom tempo se formos suficientemente afortunados. Mas não é assim que a felicidade funciona. A felicidade é a consequência do esforço pessoal. Lutamos por ela, procuramo-la arduamente, insistimos nela e às vezes até viajamos pelo mundo fora à sua procura. Temos que participar infatigavelmente nas manifestações das nossas próprias bênçãos. E quando atingimos um estado de felicidade, nunca devemos descurar a sua manutenção, temos de fazer um esforço supremo para continuar a nadar eternamente na sua direção, para ficarmos a flutuar sobre ela.
Se não o fizermos, o nosso contento inato ir-se-á esvaindo. É fácil rezar quando estamos aflitos, mas continuar a rezar mesmo depois da crise ter passado é como um processo de confirmação que ajuda a nossa alma a agarrar-se firmemente aos seus feitos.
...Toda a dor e problemas deste mundo são provocados por pessoas infelizes. Não só a nível global, num cenário tipo Hitler e Estaline, mas também a nível pessoal. Até mesmo na minha vida, consigo ver exatamente os pontos em que os meus episódios de infelicidade trouxeram sofrimento ou angústia ou (no mínimo) inconveniência àqueles que me rodeiam. Portanto, a busca do contentamento não é apenas um ato de preservação pessoal que beneficia quem o pratica, mas também uma generosa dádiva para o mundo. Eliminar toda a nossa infelicidade faz com que não nos atravessemos no nosso caminho. Deixamos de ser um obstáculo, não só para nós próprios como para os outros. Só nessa altura somos livres para servir e desfrutar da companhia das outras pessoas" Elizabeth Gilbert in Comer, Orar, Amar

Meditar e/ou rezar; aceitar os momentos difíceis com alguma  leveza; perdoar aos outros e a nós mesmos; acreditar nas nossas capacidades e no nosso real direito à felicidade são elementos essenciais, de facto absolutamente imprescindíveis para alcançarmos a paz interior e, portanto, a felicidade 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O TEMPO E A PRESSA


Quem me dera que já fosse fim de semana. 
Nunca mais chegam as férias.
Como estou ansiosa por ver o meu filho dar os primeiros passos.
Como gostaria de já ter acabado o curso.
Ele nunca mais se declara.
Não vejo o dia em que vou pagar a última prestação do carro.
Queria tanto já ter 18 anos para poder tirar a carta.


Reconhece-se em alguma ou muitas destas frases, ou outras semelhantes? Certamente que sim.
Todos vivemos na expetativa de alguma coisa, aguardando ansiosamente que algo chegue ou se realize.
Desperdiçamos o hoje, obcecados com o futuro ou, inversamente, presos ao passado.
Entretanto, inexoravelmente, o tempo passa e, de cada vez que alcançamos um objetivo, acabamos, na maior parte dos casos, por não apreciar verdadeiramente o momento, pois a nossa mente já se encontra ocupada com novos objetivos e desejos que, ansiosamente, queremos concretizar o mais rapidamente possível. E, a história repete-se continuamente.
O passado, esse, ficou lá atrás. A última palavra que estou escrevendo neste texto já se encontra no passado e, se aqui ainda posso voltar atrás, escrever de novo ou mesmo apagar este texto, nada poderá apagar o facto de a ter escrito. 
Não há borracha, nem corretor ou "eliminador" para apagar o que dissemos ou fizemos.
As escolhas que fizemos "ontem", ainda que possam não ter sido as mais corretas, são as que tivemos capacidade, necessidade ou possibilidade de fazer.
O passado serve, então, para recordar, para aprender, para nos ajudar a tomar decisões no presente e não para nos autoflagelarmos, massacramos ou entristecer.
O passado é a nossa bagagem mas, tal como não levamos todos os nossos pertences de cada vez que fazemos uma viagem, porque a maioria deles não teria qualquer utilidade, além de que não teríamos forças para transportar sozinhos uma enorme quantidade de malas, também não necessitamos transportar para o presente uma imensa quantidade de tralha inútil que apenas teve justificação, foi útil ou fez sentido no passado.
Libertarmo-nos do "peso" do passado é tão essencial quanto não vivermos ansiosamente aguardando o futuro, para que possamos viver o presente da melhor forma possível.
No nosso crescimento pessoal ou vida espiritual passa-se exatamente o mesmo. Quanto mais estivermos presos aos nosso erros, mais dificuldade temos em caminhar ou evoluir "hoje".
Quanto mais "urgência" tivermos de atingir o "entendimento", de nos encontrarmos a nós próprios ou ao Poder Supremo, mais dificuldade teremos de iniciar novas etapas, porque não estamos atentos aos ensinamentos, sensações e momentos fundamentais do presente.
O Presente é em português um sinónimo de prenda e, na verdade, é exatamente isso que ele é. O Presente é uma dádiva, um milagre, um momento único e irrepetível  e é, de facto, o único "tempo" em que podemos Viver.
Aprecie, desfrute, respire e Viva o seu Presente. Ele foi-lhe dado para que "sinta" e escolha o seu Caminho. Não tenha pressa. O Futuro está já ali, escorregando do imenso ponteiro que delimita a vida.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

MANTER O RUMO


Encontrar e entender o Divino, a Alma, Deus, a Energia do Universo ou o Todo é, nesta ínfima parte do Universo que conhecemos, uma preocupação exclusiva dos humanos. Os restantes seres da criação, os quais são sagrados também, aceitam a sua condição e a sua vida com a naturalidade daqueles que não têm pensamento reflexivo, não questionando assim a sua própria existência e natureza.
Todos, homens, animais, vegetais ou minerais, somos obra de Deus, do Todo, de um Ser Superior, ou de seja o que for que lhe queiramos chamar, mas apenas os homens questionam a sua origem, a sua moralidade e o sentido da própria vida.
Cada vez mais, temos a clara noção de que para encontrar Deus, ou o Divino, é necessário que o procuremos dentro de nós próprios. Essa pode ser uma tarefa árdua e difícil. A tarefa de uma vida.
Mas, mais difícil, do que encontrá-Lo dentro de nós, é manter a "chama viva" após um vislumbre de Deus.
Às vezes, até ficamos com a sensação de que quanto maior é a nossa entrega e espiritualidade, mais a nossa vida se torna complicada, mais os problemas nos procuram. O que, de certa maneira, nos parece injusto e incompreensível.
Na verdade, quanto mais próximos de Deus nos sentimos, mais nos encontramos despertos para as dores e injustiças à nossa volta e, simultaneamente, mais nos damos conta das nossas próprias contradições e limitações e mais o nosso ego e a nossa complexa mente se rebelam contra a perda do seu domínio e primazia.
Colocarmo-nos completamente nas mãos de Deus é visto pelo ego e pela mente como uma perda de autocontrolo e, portanto, como algo desconhecido e perigoso.
Por outro lado, o facto de nos colocarmos nas mãos de Deus não nos dispensa de termos que lutar para alcançar os nossos objetivos, de termos que trabalhar árdua e persistentemente nos nossos projetos, nem, muito menos,  da necessidade e capacidade para tomar decisões e fazer escolhas. Não nos "livra" dessa imensa bênção / liberdade e castigo / prisão que é o  livre arbítrio.
Caminhar para o interior de nós próprios é Caminhar para Deus, para o Universo, para Todo incognoscível.
Na maior parte das vezes, esse caminhar é doloroso, acima de tudo, pela resistência que opomos ao próprio Caminho, em virtude da dificuldade que temos em compreender que só teremos acesso ao incognoscível  se abrirmos o nosso coração, pois ele não é passível de ser compreendido ou conhecido pela mente humana. 
Conhecê-Lo e compreendê-Lo está reservado a algo bem maior, mais poderoso e mais sábio que vive dentro de nós. Esse algo é, na verdade, o próprio Deus, o Todo. É aquela Voz que nos fala quando conseguimos, por momentos, silenciar a mente, quando nos distanciamos do mundo materialista. É aquela imensa Energia que vive dentro e em redor de nós. É o infinito Amor que sempre nos envolve, ampara, guia e protege.
Fazer o Caminho é crescer e crescer é, quase sempre, doloroso.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PETIÇÃO - ORAÇÃO


Meu Deus,

Eu sei que andas muito atarefado com guerras, doenças graves, fomes e todas as consequências terríveis da maldade humana. 
Mas, sei, também, que a Tua dimensão é infinitamente maior do que todas as guerras, doenças, fomes ou maldades e que o Teu Projeto para nós, humanos, não tem a ver com vivermos uma vida de dor e sofrimento, sempre dominados e "tentados" pelo "pecado".
Aquilo que nos propões é que façamos uma Caminho em direção a Ti, ao Universo, aos outros, mas, para que tal aconteça, precisamos caminhar até ao mais profundo de nós mesmos.
Por essa razão me atrevo a aborrecer-te com os meus problemas, medos, falhas, sonhos ou anseios, os quais, comparados com todos esses dramas, se tornam quase ridículos.
Venho pedir-Te que me ajudes:

  • a lutar contra os meus medos e a confiar em mim e na minha capacidade de transformar sonhos em objetivos reais e concretizáveis;
  • a relaxar e a apreciar todas as graças que recebo diariamente, em vez de estar sempre a tentar controlar tudo o que se passa, sem que, obviamente, o consiga;
  • a saber valorizar o que tenho, mesmo que isso não corresponda exatamente aquilo que queria;
  • a levar a vida com leveza, mas, também com garra e persistência; 
  • a não me agarrar tantos às coisas ou pessoas, mas, sim, a aprender a deixá-las livres, para que possam permanecer ou partir;
  • a manter os pés assentes na terra, mas que seja capaz de deixar o meu espírito voar em busca de sabedoria.

Venho pedir-Te que me ensines:

  • a Perdoar, especialmente a mim própria, porque só a um coração/espírito sem ressentimentos é possível voar;
  • a Amar, particularmente a mim mesma, pois só assim poderei saber amar-Te a Ti e aos outros;
  • a Interiorizar que ser Feliz é um direito que adquiri no dia em que criaste a humanidade.
Finalmente, venho pedir-Te para protegeres e encaminhares os meus filhos e toda a minha família. Para os meus filhos peço-Te, ainda, que os ajudes a realizar a minha maior ambição:  Serem felizes e boas pessoas, honestos e confiáveis.
Sei que todos os meus familiares, amigos, conhecidos ou mesmo desconhecidos, Santos e homens bons, assinam esta petição /oração porque ela é genuína e sentida. 
Sei, no mais intimo de mim, que a escutarás hoje e sempre que alguém a faça com sinceridade e amor.

Teresa Varela


Nem sempre sabemos como rezar, mas, de facto, não existe uma forma ou fórmula certa para o fazer. 
Rezar, ou pedir a intervenção divina, é algo que fazemos sempre que o nosso espírito/coração se eleva, se compadece genuinamente, chora ou sorri com sinceridade.
No entanto, muitas vezes, temos dificuldade em nos libertar, em abrir o coração ao Divino, em encontrar a paz dentro de nós próprios, em "caminhar", por essa razão buscamos conhecimento e formas de alcançar a sabedoria, a paz e o próprio Divino.

Aqui ficam algumas ajudas:







sábado, 6 de setembro de 2014

A GRANDE VIAGEM


Rezar é um ato que nos aproxima de Deus, do Universo e da Humanidade. 
Não interessa qual é a religião que professamos ou a corrente espiritual que seguimos, pois é na entrega que fazemos de nós próprios, no quanto pomos do nosso "coração", nessa oração, que ela ganha o poder fantástico para transformar o Mundo.
Não é por acaso que a grande maioria das orações são repetitivas, quer sejam rosários, terços, ladainhas, mantras, sons ou chamamentos. Essa repetição ajuda-nos a alcançar um elevado estado de concentração, o qual nos afasta da nossa dimensão física e das futilidades mundanas, permitindo-nos entrar em conexão com Deus, ganhar um novo entendimento e dimensão e, paradoxalmente, aproximar-nos do Mundo e vê-lo, então, de uma nova, fantástica e quase mágica perspetiva. 
Rezar dessa forma é empreender uma Grande Viagem.
Na verdade, não interessa qual o Caminho que percorremos para encontrar Deus. 
Quer invoquemos Deus, Alá, Jeová, a Deusa, Brama, o Grande Espírito, a Divindade ou o Poder Supremo; Quer rezemos no Santuário de Fátima, junto ao Muro das Lamentações, na hajj a Meca,  com os Monges no Tibet, com um Guru na Índia, numa floresta na Irlanda, num ritual índio, ou na solidão da nossa casa, se a nossa entrega for genuína e rezarmos com o coração, empreenderemos sempre uma Grande Viagem.
Nessa Viagem podemos lutar com fantasmas, monstros ou dragões, em lugares assustadores e, também, viver momentos de inexcedível  êxtase  e comunhão com Deus e o Universo.
Quando o mundo material se dilui e o nosso espírito vagueia na busca de Deus, o espaço e o tempo perdem o significado e partimos ao encontro de nós. Lá encontraremos Deus e a Origem de todas as coisas.
Não existe Viagem mais cheia de aventuras e descobertas, mais longa, mais difícil ou mais assustadora e, simultaneamente, mais extraordinária, reveladora, gratificante, mágica e sublime do que quando viajamos para o interior de nós mesmos, em direção a Deus. E, no regresso, traremos sempre no coração a Serenidade



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

DEUS É ENERGIA

Big Bang


- Ontem, publiquei parte deste mesmo texto, num dos meus outros blogs, mas direcionado para um assunto específico, portanto não exatamente na mesma perspctiva que o venho agora publicar aqui. -

Por natureza,  sou céptica e utilizo, invariavelmente, a dúvida sistemática, em todas as questões importantes da minha vida, quer elas se prendam com valores morais, filosóficos, éticos, legais, sociais, científicos, religiosos, espirituais ou humanos.
No entanto, nunca, ou muito raramente, existiu dentro de mim qualquer dúvida acerca existência de um poder maior e mais inteligente do que o dos humanos, o qual define e conduz de forma intencional o "destino", evolução e transformação do Universo.
Segundo a teoria mais aceite, o Universo "nasceu" do poderoso Big Bang, o qual não passou, descrito de uma forma mais ou menos simplista, de uma enorme explosão ocasionada por uma imensamente grande concentração de energia, num ponto infinitamente pequeno.
A ser assim, podemos dizer que tudo o que existe no Universo, tal como ele próprio, tem a mesma origem e a mesma natureza, ou seja, tem a mesma essência primária. 
As diferenças existentes nesse "tudo" - galáxias, sóis, planetas, montanhas, mares, pessoas, animais, vegetais ou minerais - derivam apenas das infinitas formas como essa energia, ou essência inicial, se recombinou e organizou, transformado-se em matéria. 
Matéria essa que, evidentemente, está imbuída dessa energia primeira. Na verdade, nada mais é do que essa mesma energia.
Assim, cada uma das coisas existentes no imenso Universo não são nada mais do que energia transformada, recombinada, organizada.
Tenho para mim que esta energia primeira é inteligente, autodeterminada e "age" com um propósito definido.
Pelo que não me incomoda, ou escandaliza, que nós humanos tenhamos encontrado formas para tentar identificar e compreender os mistérios da vida e do Universo, através da "criação" de diversos Deuses. Outro tanto não posso dizer acerca das barbaridades que, ao longo dos tempos, os homens têm feito e continuam a fazer, em nome desses mesmos Deuses.
Estes Deuses mais não são do que a essência primeira e, ainda que se lhe atribuam diferentes nomes, Deus é só um, tal como a energia essencial é uma só.
Assim sendo, Deus é energia inteligente, intencional e autodeterminada, sendo ambos, Deus e Energia ou Essência Primária, a mesma e uma única "coisa". As suas formas de se manifestar podem ser tantas, quanta a sua infinita capacidade de se recombinar, transformar e evoluir.
De facto, a minha grande dúvida não se refere à existência, ou não existência, de Deus, mas, sim, ao que existia antes do Big Bang. 
A minha grande dúvida prende-se com o Nada.
Porque a mente humana não tem capacidade de entender, verdadeiramente e de forma interiorizada, o conceito do Nada. Pergunto-me, o que existia, então, antes do Big Bang e o que era esse Nada, no qual aquele pequeno ponto de energia, que lhe deu origem, flutuava?  
Enquanto não conhecemos a resposta para esta questão, temos outras questões que, ainda que complexas, são de mais fácil abordagem.
Assim, voltando à dúvida sistemática, vou colocar diversas questões, as quais põem em causa, exatamente, algumas das afirmações que fiz neste texto e que de alguma forma o desmontam:


Universos paralelos

1. O Universo nasceu de facto do Big Bang?

O Big Bang é apenas uma Teoria cosmológica, acerca do nascimento do Universo, sendo, contudo, a teoria dominante entre os cientistas. Na verdade, ninguém sabe exatamente como nasceu o Universo.

2. Mas afinal o que é o Universo? O Universo é só um, ou existem mais?


"O Universo é constituído de tudo o que existe fisicamente, a totalidade do espaço e tempo e todas as formas de matéria e energia. O termo Universo pode ser usado em sentidos contextuais ligeiramente diferentes, denotando conceitos como o cosmos, o mundo ou natureza."
Não temos forma, ainda, de provar que apenas exista um Universo. Alguns cientistas sugerem, até, a existência de vários Universos, sem aparente ligação entre si. 

3. Tudo o que existe tem energia própria?

Ainda que não consigamos detetar a energia de todas as coisas, não quer dizer que estas não a tenham, pois não conhecemos ainda todas as formas de energia existentes no Universo..

4. É verdade que só existe um Deus?

Não é possível comprovar a existência de um ou mais Deuses. Da mesma forma, não é possível provar  a sua inexistência.

5. Nesse caso, porque afirmo eu que só há um Deus?

A minha afirmação prende-se  com:
  • A existência de Energia em todo o Universo;
  • A capacidade de evolução e transformação do Universo e de todas as coisas nele existentes;
  • O facto de que desde que existe Humanidade, existe também espiritualidade, independentemente de esta se encontrar, ou não, associada a uma determinada religião;
  • O facto dos fundamentos básicos e princípios originais, de todos as religiões e correntes espirituais, serem comuns a todas elas;
  • O poder da oração, vivenciado em todas as religiões;
  • As diversas habilidades e capacidades energéticas humanas, efetivas,  as quais, tantas vezes, são  incompreendidas, desacreditadas, denegridas ou condenadas, apenas porque ainda não temos explicações científicas para as mesmas.
  • O facto de toda a Natureza agir em função de algo que, habitualmente, denominamos como instinto de sobrevivência.


Quanto a mim, as diferentes religiões não são mais do que diferentes formas dos homens viverem a sua espiritualidade. De se conectarem com Deus e com o Universo.
A energia que nos anima detém as memórias do  Todo e, portanto, o próprio Todo, ainda que não consigamos chegar até elas, a não ser por breves e raros momentos de elevação espirítual.
Na verdade, o corpo físico, de cada um de nós, não é mais do que uma carapaça que, durante algum tempo, alberga uma determinada energia que podemos denominar de espírito, alma, essência, ou qualquer outra denominação afim;

6. Se só existe um Deus, por que razão, ao longo dos tempos, os Homens têm feito guerras em nome dos seus diferentes Deuses? E, acima de tudo, por que razão vivem os homens em constante "guerra" consigo mesmos, com os outros homens, com a natureza e com tudo o que os rodeia? No fundo, a questão é por que razão existe o "Mal" se o Deus é só um?

Não existe uma resposta fácil ou verdadeira para esta questão. Se a conhecêssemos teríamos já, certamente, desvendado o maior, mais indecifrável e complexo mistério do Universo.
Se o Universo é feito de Energia e Matéria. Se Deus é igual a essa Energia e Matéria, nada de mau ou negativo deveria existir Nele. Mas, como todos nós sabemos, a energia só realmente se produz e revela quando os pólos que se tocam são opostos. Assim sendo, para cada "coisa" que existe, existe o seu oposto.



A morte opõe-se ao nascimento, a dor à alegria, a maldade à bondade, a noite ao dia, a maré-cheia à maré-vazia, a sabedoria à ignorância, o alto ao baixo, o esquerdo ao direito, o quente ao frio,...................!!!!



Assim, poderemos interpretar que, da mesma forma que o Universo se continua a expandir, também nós continuamos a evoluir. Para que essa evolução seja possível temos que nos confrontar com "dificuldades", temos que conectar-nos com os dois lados de uma mesma realidade. Esses dois lados, que para facilitar denominamos de bem e de mal, porque opostos, entram em choque e é, acima de tudo, desse choque que resulta a energia que nos permite evoluir.
E é aqui que voltamos ao Nada, esse Nada que desconhecemos, mas que, pela lógica, é o oposto do Universo.
No dia em que os nossos espíritos alcançarem a compreensão do Nada, será o dia em que toda a complexidade do Tudo desaparecerá, eliminando os opostos e originando  a Unidade.
Acontece que desta  última afirmação resulta algo que contradiz, em parte, o que afirmei no texto inicial. Mas, só seria possível descobrir-se essa contradição após analisarmos aquilo que conhecemos.
Assim, aquilo que conhecemos e compreendemos, embora ainda com muitas lacunas, é o Universo. Aquilo que desconhecemos, não compreendemos e de que não temos qualquer representação é o Nada (a ausência de Universo).
Portanto, a afirmação de que o Universo é igual ao Tudo e, portando, igual a Deus deixa de ser verdadeira, pois o Tudo, tal como Deus, são constituídos, simultaneamente, pelo Universo e pelo Nada.
Por que razão faço esta afirmação? Bem, voltemos então ao princípio. Segundo os cientistas, o Universo nasceu da explosão de um pequeno ponto que continha uma imensa energia. Segundo os Génesis, primeiro havia as Trevas.



O pequeno ponto, necessariamente teria que estar em algum "lugar" e que ter nascido de algo. Então, chamemos a esse "lugar" e a esse algo o Nada ou o Não Universo ou, alternativamente, as Trevas.
Se Deus é pré-existente à criação do Mundo/Universo, então Ele é também, o Nada, o Não Universo, e as Trevas.
Nós homens tentamos, muitas vezes, reduzir Deus à nossa diminuta dimensão, atribuindo-lhe características, humores, exigências, preconceitos, limitações ou leis que são meramente humanas.
Negociamos com Ele as nossas vidas, projetos, sonhos, desejos ou dores, absolutamente alheios à imensa dimensão de Deus que, obviamente, não está "preocupado" com o pecado, ou se comemos carne ou peixe, com o tamanho do decote, o comprimento da saia, ou qualquer outra pequenez humana
Na verdade Ele é algo que ainda não compreendemos. 
Porque Ele é o Tudo, é, também, cada um de nós. Está presente em cada um de nós. Mas, enquanto Ele é a Harmonia entre os opostos (Universo vs Não Universo - Ponto de Energia vs Nada; Trevas vs Luz), nós, na busca contínua de darmos sentido à nossa existência, debatemo-nos entre o Bem e o Mal, agindo, muitas vezes, como dementes ou seres maléficos.
A dimensão de Deus é Infinita, no sentido de que Ele é bem maior do que o Universo que, por si só, já nos parece infinito,  Ele é o conjunto do Universo e do Não Universo  (Nada).
Então, enquanto não atingirmos o entendimento do Nada, não conseguiremos compreender a verdadeira dimensão de Deus, nem atingir a União total com Ele.