"Em círculo, somos todos iguais. Quando estamos em círculo, ninguém está à sua frente, nem atrás, nem acima e nem abaixo.
Um Círculo Sagrado é feito para criar Unidade. O Elo da Vida também é um círculo. Nesse elo há espaço para cada espécie, cada raça, cada árvore e cada planta."
Dave Chief, Oglala Lakota

domingo, 28 de dezembro de 2014

E ENTÃO O NATAL PASSOU


E então o Natal passou.
A azafama das compras;
O bacalhau;
O peru;
O Bolo Rei;
Os sonhos, as rabanadas, as azevias;
Os doces;
O cintilar das luzes da árvore de Natal;
As prendas envoltas em papeis garridos, enfeitadas com fitas ou laços multicolores;
O Deus menino que dorme, nas palhinhas deitado, sob o olhar amoroso de seus Pais;
A mesa vestida de dia de festa. Toalhas vermelhas ou douradas. Centros de mesa iluminados por velas escarlate que refletem seus brilhos no serviço de porcelana e nos elegantes copos de vidro ou cristal;
Esta é, sem dúvida, a Festa da Família.
Dizem as más-línguas que o Natal não passa de mais uma época de excessos, com os gastos nas prendas e grandes comezainas.
Para mim, Natal, ainda que com baixas temperaturas, é calor, é reunião familiar, é a vontade de dar, que nos cresce no coração, é recordar os que já não podem estar presentes, é reflexão sobre o amor, é balanço de vida, é proximidade.
Se o Natal fosse apenas uma premência consumista, ninguém se daria ao trabalho de fazer dezenas, centenas ou, mesmo,  milhares de quilómetros, para o reencontro familiar. Ninguém sentiria, de forma mais intensa, a ausência dos que já partiram. 
Na verdade, o Natal é "anterior à sua própria existência", pois, como aconteceu com tantas outras celebrações religiosas atuais, também a escolha do 25 de Dezembro, para a comemoração do nascimento de Cristo,  se ficou a dever à existência de uma outra antiga festividade pagã. Bem melhor que eu própria, as palavras de um Doutorado em História, meu conhecido, poderão explicar os motivos que levaram a esta escolha.



"Originalmente destinada a celebrar o (re)nascimento anual do Sol, no solstício de Inverno no hemisfério norte (natalis invicti Solis - o nascimento do Sol invencível / invicto), marca o momento em que o Sol reinicia a sua ascensão triunfante, com dias cada vez maiores. O Sol, tão importante para as culturas agrárias que dão o impulso inicial da civilização, retoma a sua ascensão, ficando cada dia mais alto no céu, iluminando e aquecendo a terra por mais tempo. 
Herdamos pois esta celebração de cerimónias muito antigas, como a da religião síria de culto ao Sol Invencível, de Mitra (Amigo), o deus do Sol da mitologia persa, mas também da mitologia hindu. A generalidade dos povos antigos consagrava esta época ao culto do Sol, ou de forças solares divinas. 

A celebração deste fenómeno atmosférico como sendo a do nascimento de Jesus da Nazaré foi estabelecida pela Igreja Cristã Católica, já que os textos ditos sagrados nada dizem quanto à data do nascimento de Jesus. Os primeiros indícios da comemoração de uma festa cristã litúrgica do nascimento de Jesus em 25 de Dezembro são do Chronographus Anni CCCLIV(do ano 354).

No ano 350, o Papa Júlio I terá proclamado o dia 25 de Dezembro como data oficial, e o Imperador Justiniano veio a confirmá-lo em 529, declarando o dia como feriado. O Natalis Solis Invictus ou Dies Natalis Solis Invicti é assim substituído pelo Natal Católico. As festividades das Saturnais (dedicadas ao deus Saturno), com o avanço do cristianismo no Império Romano e com Constantino (313-337 d.C.), são substituídas pelas celebrações do nascimento do Menino-Deus. A religião cristã torna-se oficial no Império e substitui o Deus-Sol pelo filho do Deus-Pai, Jesus mais tarde Cristo. A comemoração em 25 de Dezembro foi exportada para o oriente mais tarde: em Antióquia por João Crisóstomo, no final do século IV, provavelmente em 388, e em Alexandria no século seguinte. 

Como aconteceu com muitas e muitas outras datas e com muitos outros cultos, é uma tentativa bem conseguida de trazer para a nova religião, mais e mais gentes ditas pagãs, não lhes retirando as celebrações antigas, mas revestindo-as com novas designações. 
Que outras não houvesse, teríamos - evocando estas - razões bastantes para celebrar o Natal, como força de renovação, como possibilidade do recomeço que permite ajustar os erros do passado em direcção a um futuro mais pleno." 



Dentro de poucos dias, entraremos num Novo Ano, 2015. Os nossos corações aguardam-no com expetativa e com a esperança de que nos traga alegrias, sucesso, concretização de projetos e um novo Natal, cheio de cor, calor, luz e amor...

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

UM NATAL MÁGICO

Desejo a todos os que aqui me visitam um Natal Mágico e um Fantástico 2015, repleto de desafios, projetos e Sucesso.


Espero, em breve, poder voltar a escrever neste e nos meus outros blogs com a frequência que me era habitual.
Sinto saudades de partilhar as minhas reflexões, pensamentos, histórias, ideias... com todos os que me leem. 
O novo Projeto, em que me encontro empenhada, deixa-me pouco tempo para passar por aqui, pois necessita ter "pernas" para poder caminhar. 
Criar boas "pernas" ou bases para um Projeto é  transformar um sonho em realidade, mas essa transformação requer tempo, entrega, persistência, disciplina, imaginação e muito, muito, trabalho.
Se o meu Projeto tiver Sucesso produzirá uma grande e positiva mudança na minha vida profissional, que, obviamente, se refletirá positivamente em mim própria.
Como dizia Gandi, "Não existe uma caminho para a felicidade. A Felicidade é o Caminho". 
Ainda que as 24h, de cada dia, sejam poucas para fazer todas as coisas de que gosto, trabalho e dedico, é nesse caminhar que procuro encontrar a Felicidade e "falar" com todos vós, que aqui me visitam, faz, certamente, parte desse caminhar.
Até Breve.



sábado, 15 de novembro de 2014

SILÊNCIO NÃO É AUSÊNCIA



Nos últimos tempos não me tem sido possível escrever tantos artigos, como gostaria, nos meus blogs. 
A razão deste silêncio não é ausência, mas deve-se apenas ao facto de me encontrar extraordinariamente ocupada com a criação e publicitação do meu novo site “Teresa Varela - Artes de Comunicação".
Convido todos os meus leitores a visitarem a página do facebook, associada ao site, para que melhor  possam conhecer a sua Missão e Objetivos ou juntarem-se à nossa Equipa, ou tornarem-se nossos Clientes.

Cliquem no link

sábado, 1 de novembro de 2014

UMA MENSAGEM POR DIA


Se eu pudesse dedicar-me só aos meus blogs, sites e à minha atividade de formadora, certamente que todos os dias publicaria uma mensagem, em cada um deles. Mas, a realidade não é, na maior parte das vezes, exatamente aquilo que desejaríamos ou com que sonhámos.
Assim, para que nos seja possível dedicar aos nossos prazeres ou atividades profissionais de eleição, temos, muitas vezes, que realizar outros trabalhos ou tarefas que não nos agradam tanto ou não nos realizam pessoal ou profissionalmente.
No fundo, tudo na nossa vida é um pouco assim. Se nos dá prazer convidar um grupo de amigos para almoçar ou jantar na nossa casa, já sabemos que temos que contar com a parte chata de todos os trabalhos domésticos, antes e depois da festa. Quando vamos de férias temos sempre aqueles momentos de stress, para escolher o que levar e fazer as malas, acomodar tudo na mala do carro ou não exceder o peso das malas, definido pelas companhias de aviação.
Quando escolhemos casar e ter filhos, sabemos de antemão que teremos que prescindir de muitas outras coisas que gostaríamos de fazer.
Quando chegamos à encruzilhada, é imperativo que escolhamos um caminho, pois, caso contrário, ficaremos parados, sem rumo, presos na nossa indefinição.
Hoje, que na minha "arrogante inocência" julgo saber qual o caminho que pretendo seguir, por mais estranho que possa parecer, continuo parada na encruzilhada. Pois, ainda que esteja segura do que verdadeiramente quero, tenho responsabilidades e obrigações que não me permitem dar ao luxo de fazer apenas o que me dá prazer.
Penso que, quando atingimos este degrau  "saber exatamente o queremos", a vida nos põe de novo à prova. 
Agora, já não se trata apenas de decidir qual o caminho a escolher, mas antes, como conseguir manter o equilíbrio e a paz interior, quando, finalmente, temos a certeza de que é aquele o caminho que queremos seguir e a vida decide apresentar-nos dificuldades e obstáculos, quase intransponíveis, que nos limitam e impossibilitam de, plenamente, o podermos trilhar.
Se conseguisse escrever uma mensagem por dia, teria, talvez, atingido a plenitude, o que talvez significasse que tinha chegado a altura de "viajar" para outra dimensão da vida.
A escadaria é alta, os degraus são desiguais e, por vezes, de grande dimensão. A subida é árdua, repleta de obstáculos, dificuldades e fatores limitadores.
Assim é a vida. Sem fé, coragem, caridade e Amor, dificilmente conseguiremos  chegar ao topo dessa íngreme subida em direção à felicidade e encontrar a nossa verdadeira essência.                                                                                                                                                                                                                                   

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

UM DEUS À MEDIDA

A Missa de abertura, na Basílica Vaticana, no dia 5 de Outubro de 2014, deu início ao Sínodo Extraordinário sobre a família, convocado pelo Papa.
Da Homilia do Papa Francisco destaco os seguintes excertos:


Sínodo dos Bispos

" A vinha do Senhor é o seu «sonho», o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultor cuida do seu vinhedo. A videira é uma planta que requer muitos cuidados!"

"Através da sua parábola, Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens. Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência.

Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu."
A tentação da ganância está sempre presente. (...) Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar (cf. Mt 23, 4).
Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo. Neste caso, o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade.
Nós somos todos pecadores e também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos. O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo.(...)"

Como não poderia deixar de ser, este Sínodo e os seus primeiros relatórios ou conclusões têm tido a cobertura dos diversos meios de comunicação social, nacionais e estrangeiros. Abaixo destaco alguns excertos das publicações de dois deles;



Família
"O Sínodo dos Bispos sobre a Família, convocado pelo Papa Francisco, aprovou (...) um relatório final, sem que tenha sido alcançado um acordo em relação aos casos de divórcio e aos homossexuais.
(...) o porta-voz do Papa, padre Frederico Lombardi, disse que o relatório final foi "reequilibrado" para ter em conta a relutância dos prelados mais conservadores.

O relatório faz um inventário dos problemas diversos da família nos cinco continentes, como o acolhimento pela Igreja dos casais em união de facto, homossexuais ou divorciados.

Foram 183 os bispos que participaram na votação de cada um dos 62 parágrafos do relatório. Para serem aprovados, têm de reunir a votação favorável de dois terços.
Três dos pontos não obtiveram essa maioria qualificada e dizem respeito ao acesso aos sacramentos por divorciados que voltaram a casar-se e ao acolhimento dos homossexuais.
in Público



"Para se identificar com toda a sociedade, resta à igreja um meio: em vez de impor as suas doutrinas, acolher as atitudes da sociedade, o que, em geral, consistirá em perfilhar, reinterpretando-as em termos religiosos, as últimas inclinações da legislação estatal ou dos programas televisivos da manhã. Se os fiéis não vão a Roma, vai Roma até aos fiéis. O problema é que, por esse caminho, a igreja pode rapidamente deixar de representar a continuidade apostólica, para cair numa “espiritualidade” de supermercado, em que cada um escolhe o que, naquele dia, mais lhe convém." Rui Ramos, "O dilema da igreja católica" in Observador


A história das religiões e particularmente a da Igreja Católica, que tem mais de dois mil anos de existência, revela-nos que nem sempre os "sábios" têm respeitado o sonho de Deus e que, movidos pela ganância e pela sede de poder, têm muitas vezes negligenciado, maltratado   e, mesmo, tentado destruir a Sua "vinha".
Embora a Igreja e, particularmente, as Misericórdias tenham tido e continuem a ter um papel fundamental no bem-estar das sociedades, protegendo e auxiliando os mais indefesos e necessitados, o Vaticano foi, desde sempre, uma organização poderosa que durante vários séculos dominou ou tentou dominar o mundo politica e financeiramente, utilizando para tal a sua suposta prerrogativa  de representantes de Deus na Terra.
Muita da história, ou histórias do Vaticano não são edificantes, nem têm dignificado a Igreja. Demasiadas vezes, a sua postura, ações ou exemplos não reproduziram os ensinamentos de Cristo, pelo contrário. foram profundamente antagónicas ao seu ensinamento principal, o Mandamento Novo, "Amai-vos uns aos outros como eu vos Amei".
Os rituais, obrigações e leis da Igreja, produzidas no Vaticano são, na sua grande maioria, apenas dogmas e leis criadas pelos homens da Igreja, pouco ou nada tendo a ver com a Mensagem de Cristo.
É certo que a Igreja tem sido obrigada a evoluir, pois de outra forma teria ficado completamente desfasada e afastada das características da sociedade em que pretende manter-se inserida.
Mas, infelizmente, sempre que é eleito um Papa que trás uma lufada de ar fresco à Igreja, um sopro de modernidade e humanidade, a oposição que lhe é feita, pelos velhos e poderoso Bispos que o rodeiam, é violenta e determinada.
Estes homens que vivem protegidos na redoma dourada do Vaticano, presos a dogmas e preconceitos ou entretidos em jogos de poder e que pouco ou nada sabem da vida real, não querem, de forma alguma, perder os seus privilégios, nem os últimos resquícios de poder que têm sobre a humanidade.


Papa João XXIII
As tentativas de modernização, humanização e aproximação da Igreja aos fieis, propostas pelo Papa João XXIII, no concílio Vaticano II, tiveram forte oposição por grande parte destes duros e poderosos "Velhos do Restelo", ainda que parte das suas ideias tivessem vindo a ser implementadas já por Paulo VI.
Hoje, a Igreja Católica vive a sua maior e mais complexa crise. A eleição do Papa Francisco foi, certamente, uma tentativa de tentar aproximar a Igreja dos homens, pois cada vez estes se encontram mais afastados e indiferentes às leis e determinações do Vaticano.


Papa Francisco

Mas, o Papa Francisco é um homem diferente, de vistas largas e sem os vícios do quotidiano do Vaticano. Assim, as suas ideias progressistas relativamente à Família, ao novo paradigma da Família, não foram, nem poderiam ter sido, bem aceites pelos bispos retrógrados e arreigados às velhas normas do "sempre foi assim".
Resta-me a esperança de que Francisco, o homem, e Francisco o Papa, tenha a coragem, a força e o apoio para cuidar da Vinha e dar um novo alento, uma nova vida ao Sonho de Deus. 
Contrariamente  a Rui Ramos, espero que a espiritualidade não passe a ser de "supermercado", em que cada um decide arranjar um Deus à sua medida, conforme lhe der mais jeito, em função das suas conveniências. 
Espero, antes, que a espiritualidade se transforme em algo mais consciente e responsável, sem ser condicionada por leis e dogmas inventados pelos homens, ou pelo medo da ira divina, pelo pavor do Inferno, pelo fardo do pecado.
Uma espiritualidade consciente não é matemática ou contabilística, não se baseia em medos, sentimentos de culpa, ou leis desfasadas da realidade. 
A espiritualidade consciente é a entrega, é o abrir do coração ao Amor, à Esperança, à Fraternidade, à Tolerância.
A espiritualidade consciente acontece quando o Homem procura, todos os dias, crescer, transcender-se, tornar-se uma pessoa melhor. 

Informações e links úteis
O Sínodo dos Bispos, foi criado pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), e é uma reunião de vários dias, convocada pelo Papa, com Bispos convidados do mundo inteiro, para tratar de determinado assunto da Igreja, de doutrina ou de pastoral (família, Eucaristia, sacerdotes, etc). Há os Sínodos ordinários a cada quatro anos e os extraordinários que o Papa convoca em qualquer altura. Após o Sínodo o Papa emite um documento chamado Exortação Apostólica onde resume e aprova as principais conclusões a que os Bispos chegaram.

SYNODUS EPISCOPORUM

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ACHEMANE



Na minha demanda pelo divino tenho trilhado vários caminhos. A espiritualidade, o mistério, o misticismo e o divino sempre me atraíram de forma particular.
Procurei Deus ou o Divino em diferentes lugares, grupos e práticas. De uma forma ou de outra, por muito que essas jornadas me tenham ensinado, acabei sempre por me desiludir ou sentir insatisfeita. 
Os seres humanos são imperfeitos, é certo, mas, acima de tudo, são excessivamente limitados, ou impõem a si mesmos determinados limites. A sua fé é frágil e a sua entrega é tímida e insegura.
Nessa busca pelo divino, fiz parte de diferentes grupos, alguns deles ligados à Igreja Católica, outros associados a outras correntes espirituais ou religiosas.  Ainda que em todos eles tenha reconhecido virtudes, bons propósitos, conhecimento e dedicação, encontrei, também,  um denominador comum que, para além de me causar perplexidade, me fez afastar ou desinteressar. 
Esse denominador comum prende-se, acima de tudo, com a forma como as inseguranças, medos e fragilidades dos membros do grupo são utilizadas pelos Mestres, Guias ou Gurus, para a sua autopromoção, reconhecimento e engrandecimento e, também, para manipularem o próprio grupo. 
Não pretendo com isto dizer que estes Mestres, Guias ou Gurus são mal intencionados, mas, antes, que são apenas pessoas, tão dicotómicas e imperfeitas como qualquer um de nós, que precisam de se sentir amadas, importantes, integradas, reconhecidas e compreendidas, ainda que, alguns deles possam encontrar-se num patamar espiritual mais elevado do que a maioria dos elementos dos grupos que lideram.
Embora todos os seres humanos sejam semelhantes em diversos aspetos, cada um de nós é único, pelo conjunto de características, peculiaridades e histórias de vida que nos define.
Se isto é verdade ao nível da personalidade, comportamentos e atitudes, também o é ao nível da espiritualidade. Assim, o patamar espiritual em que eu me encontro pode ser completamente diferente do patamar em que se encontra o meu vizinho, amigo, marido, os elementos de um grupo a que pertenço, ou o meu Guia espiritual. No entanto, todos nós, seja qual for o patamar em que nos encontramos, continuamos a ser, com maior ou menor intensidade, dominados pela nossa humanidade.
Quando digo que a nossa fé é frágil e a nossa entrega tímida e limitada não pretendo fazer a apologia do fundamentalismo ou do fanatismo, conceitos que, aliás, abomino, mas tão somente de não termos, a maior parte das vezes, a capacidade de acreditar totalmente (fé), ou de nos entregarmos sem reservas, de coração aberto, certos de que o Divino nos amparará sempre que fizermos a escolha do amor, da verdade, da generosidade, da gratidão e da tolerância, ou, mesmo que não a façamos, de que Ele nos dará outra, e outra, e outra oportunidade.
Uma das coisas mais importantes que aprendi na minha jornada foi que nunca poderei, verdadeiramente, compreender e conhecer nada se não me conhecer a mim própria. E, também, que o conhecimento, não é feito, apenas, de estudo profundo, investigação, ou introspeção constante. De facto, o conhecimento e / ou a sabedoria atingem-se bem mais fácil e rapidamente através do silêncio. Não só o silêncio das palavras ditas ou escritas, mas, principalmente, o silêncio da mente. Quando finalmente conseguimos silenciar a mente, a sabedoria vem até nós como se transportada por uma brisa suave que nos sussurra, por uma energia forte mas gentil que nos envolve.
No entanto, o trabalho, a investigação, o estudo e a introspeção não podem ser negligenciados, pois eles são as verdadeiras alavancas que nos permitem encontrar o caminho, a coragem e conhecimento para que possamos "aprender" a silenciar a mente.
Num dos grupos de que fiz parte "aprendi" um dom, método ou forma de silenciar a mente. O Grupo era do Renovamento Carismático, o "método" é o "Orar em línguas".

"Falar em línguas ou Dom de línguas é um fenómeno religioso cristão, que deriva da narrativa contida no livro de Atos dos Apóstolos, do Novo Testamento, onde, sob inspiração do Espírito Santo, os primeiros seguidores de Jesus teriam falado em Jerusalém e os estrangeiros ali presentes entenderam as preleções, cada qual em seu idioma.".

Hoje, alguns têm um entendimento um pouco diferente do que é o Dom das Línguas ou Orar em Línguas. Basicamente, orar em línguas é o permitirmos que o Espírito Santo nos guie e nos "dê" uma ou mais palavras, aparentemente sem significado em qualquer língua conhecida, as quais, à semelhança de qualquer Mantra, repetimos de uma forma quase inconsciente e involuntária, conseguindo assim silenciar a mente e aproximarmos-nos de Deus ou da Divindade.
A minha palavra, aquela que me foi dada e que me ajuda a encontrar paz, silêncio, sabedoria, fé, esperança, amor ou crescimento é ACHEMANE.
Partilho-a hoje convosco para que a possam usar como Mantra, ou para que, inspirados nela, possam encontrar a vossa palavra de fé, força, sabedoria, amor e silêncio. 



terça-feira, 14 de outubro de 2014

CHOQUE

Quantas vezes ficamos sem palavras? 
Nessas alturas  não nos ocorre dizer nada. Nenhum frase eloquente. Nenhuma tirada de génio. Nenhuma piada acutilante e precisa.
Isso acontece, principalmente, quando somos apanhados de surpresa. 
Quando alguém, inesperadamente, sem provocação ou motivo aparente, nos ofende, ridiculariza,  trai ou revela segredos ou algo embaraçoso a nosso respeito,  a reação de quase todos nós é, por momentos, ficarmos sem palavras.
Minutos ou horas depois, ocorrem-nos todas as coisas brilhantes ou certeiras que poderíamos ter dito na altura, mas são, como se diz por aqui, "sopas depois do almoço".
Ficamos irritados por não termos tido a presença de espírito suficiente para darmos uma resposta à altura.
No entanto, se pensarmos bem, talvez tenha sido melhor assim. A nossa ausência de resposta apenas revela que fomos apanhados de surpresa e não que tenhamos qualquer incapacidade intelectual ou de comunicação.
Mas, acima de tudo, revela que não estávamos  ali com quaisquer intenções maléficas, nem com qualquer tipo de premeditação negativa.
Momentaneamente, o nosso recém revelado "oponente" parece ter ganho um tipo qualquer de batalha, mas, se pensarmos melhor, constataremos que nós não fazemos parte daquela guerra. Pois ela é, só e apenas, uma guerra pessoal do nosso oponente, a qual pouco ou nada tem a ver connosco.
As pessoas infelizes e negativas têm tendência para tentar humilhar os outros, para assim tentar obter um qualquer tipo de satisfação que a sua própria vida não lhes dá.
Quando me refiro a pessoas infelizes não estou a falar de pessoas que têm problemas graves, seja de que tipo for, mas sim de pessoas negativas que escolheram como "modo de vida" a infelicidade, para a qual tentam arrastar todos os que deles se aproximam.
O melhor mesmo é evitar relacionarmo-nos com pessoas negativas, mas se, de todo em todo, tal não for possível, devemos procurar que os nossos contactos sejam tão breves e distantes (sem envolvimento afetivo e emocional) quanto nos for possível.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

ÉBOLA



Será o Ébola, apenas, mais uma doença, altamente contagiosa e mortífera, para a qual ainda não se conhece a cura?
Será o Ébola, apenas, mais um flagelo, dos muitos que atingem os países Africanos, ditos subdesenvolvidos; os mais pobres, menos desenvolvidos técnica e cientificamente?
Será o Ébola, apenas, uma doença para a qual se encontrará a cura logo que atinja, de forma significativa, os países mais ricos e poderosos?
Será o Ébola, apenas, a nova peste do século XXI?
Será o Ébola, apenas, mais um "bom" motivo para se inventarem novas teorias da conspiração?
Será o Ébola, apenas, mais uma forma de a Humanidade ser testada na dimensão da sua "humanidade"?
O Ébola é uma doença, um vírus, do qual não se conhece bem a origem e muito menos a cura. É uma praga ou peste que pode dizimar milhares de seres humanos, principalmente os que têm condições de vida mais degradas e desprotegidas.
O Ébola é um vírus que nos pode aterrorizar, acima de tudo se continuarem a aparecer casos na Europa e na América. Não há fronteiras suficientemente estanques e a mobilidade dos povos é hoje uma das mais marcantes características da humanidade.
Acredito que, neste momento, vários cientistas, privando-se do próprio descanso, procuram encontrar uma cura ou vacina para estes vírus. Espero que a encontrem rapidamente.
Mas, assim como a peste negra ou bubónica não matou toda a população Europeia, Asiática, ou mundial, também o Ébola não o fará, pois as condições de sanidade e a evolução científica não têm qualquer comparação com as existentes na Idade Média.
Podemos ter medo. Podemos ter pena dos que são atingidos por esta praga. Mas não podemos permitir que esse medo ou essa pena se transformem num tormento, ou alternativamente, que conduzam os diferentes povos a mostrarem e deixarem desenvolver o pior de si próprios.
A morte é a única certeza e garantia que temos, desde o dia em que nascemos. Nenhum de nós quer ser, no entanto, vítima do Ébola, direta ou indiretamente. Nenhum de nós quer que ele atinja os nossos países.
Mas, não o olhemos como um papão. Enfrentemo-lo como o vírus letal que é, passível, como muitos outros, de ser destruído pela ciência.

Pois, bem mais letal, pernicioso e devastador, que o Ébola, são as atitudes e palavras, como as que foram ditas recentemente por um político americano. Essas, sim, são vergonhosas e destruidoras, são a verdadeira e mais trágica doença da humanidade, para a qual não existe antídoto, nem vacina: a sua falta  de HUMANIDADE.




EUA

Antigo diretor do Partido Republicano. "As pessoas com ébola deviam ser executadas"
Extermínio em massa e sanitização com napalm. Todd Kincannon, antigo diretor do Partido Republicano da Carolina do Sul, não faz por menos. 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

VOZES


Se alguém afirmar publicamente que ouve vozes é imediatamente rotulado de louco, pela sociedade.
Ouvir vozes está fortemente conotado com  esquizofrenia e outras demências ou debilidades mentais.


Mas, o ouvir vozes ou até ter visões está, também, relacionado com determinadas crenças ou práticas de algumas religiões e correntes místicas e espiritualistas, tais como o espiritismo  ou o xamanismo. 
Na maior parte das sociedades, o senso comum diz que tudo isto são disparates de pessoas demasiado crédulas ou débeis emocional, espiritual ou mentalmente.
                                     
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       
No entanto, figuras maiores da religião, respeitadas e veneradas por grande número de pessoas, como Joana d'Arc ou Santa Teresa de Ávila, afirmavam ter conversas com Deus, atingindo estados de profundo êxtase e distanciamento do mundo material. 
Segundo a Bíblia, Moisés falou com Deus no alto do Monte Sinai e Nossa Senhora recebeu a visita do Anjo, o qual lhe veio trazer a Boa Nova.
Estes são apenas alguns, dos muitos, exemplos de figuras históricas, bem conhecidas, respeitadas ou veneradas, que asseguraram ter ouvido vozes ou tido visões. Paradoxalmente, as suas versões, desses acontecimentos, foram e são aceites, sem grandes juízos de valor, por muitos daqueles que asseveravam ou asseveram, sem qualquer sombra de dúvida, que quem ouve vozes é louco.

Artista - Yuhon
Se sairmos desta zona de conforto, das personagens históricas, e nos debruçarmos sobre uma realidade mais próxima e corriqueira, com quem falamos nós quando dizemos ter "conversas com os nossos botões"?
De quem é a voz com quem tantas vezes argumentamos, quando estamos sozinhos?
Ou a voz interior que nos crítica, desmotiva e nos faz sentir envergonhados?
Ou, aquela outra que nos acalma, conforta, dá força e nos faz ver as coisas numa outra perspetiva?
Ou ainda a outra que nos dá sábios conselhos, nos ajuda desvendar mistérios, ou que connosco coopera  para que alcancemos os nossos objetivos?
Poderemos responder a todas estas questões, dizendo que esta voz é sempre a mesma e nada mais é do que o nosso pensamento e capacidade raciocinar. Essa é a resposta fácil, que nunca nos compromete, nem obriga a fazer grandes análises ou dar complexas explicações.
Mas, quantas vezes esta voz nos diz coisas que não temos qualquer consciência de saber?
Quantas vezes ela nos revela uma sabedoria para a qual não temos vivências suficientes?
Quanta vezes ela nos impele a que alteremos um projeto ou percurso, de uma forma que jamais havíamos pensado?
Quantas vezes ela nos incita para que ousemos arriscar, em busca do amor, da paz, ou da felicidade?
E, quantas vezes ela se cala, ou, pelo menos deixamos de a conseguir ouvir, tendo, então, a sensação de que ficámos sós e que essa sábia e reconfortante voz nos abandonou?
E, se Deus nos falasse, como conseguiríamos distinguir entre a sua Voz e o nosso pensamento?
Mas, se aceitarmos que Deus vive dentro de nós. Exatamente o mesmo Deus que criou os Universos. Exatamente o mesmo que nos rodeia. Aquele a quem pedimos ajuda e de quem esperamos o perdão. Então perceberemos que é a Ele que pertence aquela voz que nos acalma e guia, que nos faz sentir corajosos e amados, sempre que conseguimos  silenciar a nossa mente. 
Artista - Görsel; Rassoul


sábado, 20 de setembro de 2014

ACERCA DA FELICIDADE

"...As pessoas tendem a pensar que a felicidade é um golpe de sorte, algo que talvez desça sobre nós como o bom tempo se formos suficientemente afortunados. Mas não é assim que a felicidade funciona. A felicidade é a consequência do esforço pessoal. Lutamos por ela, procuramo-la arduamente, insistimos nela e às vezes até viajamos pelo mundo fora à sua procura. Temos que participar infatigavelmente nas manifestações das nossas próprias bênçãos. E quando atingimos um estado de felicidade, nunca devemos descurar a sua manutenção, temos de fazer um esforço supremo para continuar a nadar eternamente na sua direção, para ficarmos a flutuar sobre ela.
Se não o fizermos, o nosso contento inato ir-se-á esvaindo. É fácil rezar quando estamos aflitos, mas continuar a rezar mesmo depois da crise ter passado é como um processo de confirmação que ajuda a nossa alma a agarrar-se firmemente aos seus feitos.
...Toda a dor e problemas deste mundo são provocados por pessoas infelizes. Não só a nível global, num cenário tipo Hitler e Estaline, mas também a nível pessoal. Até mesmo na minha vida, consigo ver exatamente os pontos em que os meus episódios de infelicidade trouxeram sofrimento ou angústia ou (no mínimo) inconveniência àqueles que me rodeiam. Portanto, a busca do contentamento não é apenas um ato de preservação pessoal que beneficia quem o pratica, mas também uma generosa dádiva para o mundo. Eliminar toda a nossa infelicidade faz com que não nos atravessemos no nosso caminho. Deixamos de ser um obstáculo, não só para nós próprios como para os outros. Só nessa altura somos livres para servir e desfrutar da companhia das outras pessoas" Elizabeth Gilbert in Comer, Orar, Amar

Meditar e/ou rezar; aceitar os momentos difíceis com alguma  leveza; perdoar aos outros e a nós mesmos; acreditar nas nossas capacidades e no nosso real direito à felicidade são elementos essenciais, de facto absolutamente imprescindíveis para alcançarmos a paz interior e, portanto, a felicidade 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O TEMPO E A PRESSA


Quem me dera que já fosse fim de semana. 
Nunca mais chegam as férias.
Como estou ansiosa por ver o meu filho dar os primeiros passos.
Como gostaria de já ter acabado o curso.
Ele nunca mais se declara.
Não vejo o dia em que vou pagar a última prestação do carro.
Queria tanto já ter 18 anos para poder tirar a carta.


Reconhece-se em alguma ou muitas destas frases, ou outras semelhantes? Certamente que sim.
Todos vivemos na expetativa de alguma coisa, aguardando ansiosamente que algo chegue ou se realize.
Desperdiçamos o hoje, obcecados com o futuro ou, inversamente, presos ao passado.
Entretanto, inexoravelmente, o tempo passa e, de cada vez que alcançamos um objetivo, acabamos, na maior parte dos casos, por não apreciar verdadeiramente o momento, pois a nossa mente já se encontra ocupada com novos objetivos e desejos que, ansiosamente, queremos concretizar o mais rapidamente possível. E, a história repete-se continuamente.
O passado, esse, ficou lá atrás. A última palavra que estou escrevendo neste texto já se encontra no passado e, se aqui ainda posso voltar atrás, escrever de novo ou mesmo apagar este texto, nada poderá apagar o facto de a ter escrito. 
Não há borracha, nem corretor ou "eliminador" para apagar o que dissemos ou fizemos.
As escolhas que fizemos "ontem", ainda que possam não ter sido as mais corretas, são as que tivemos capacidade, necessidade ou possibilidade de fazer.
O passado serve, então, para recordar, para aprender, para nos ajudar a tomar decisões no presente e não para nos autoflagelarmos, massacramos ou entristecer.
O passado é a nossa bagagem mas, tal como não levamos todos os nossos pertences de cada vez que fazemos uma viagem, porque a maioria deles não teria qualquer utilidade, além de que não teríamos forças para transportar sozinhos uma enorme quantidade de malas, também não necessitamos transportar para o presente uma imensa quantidade de tralha inútil que apenas teve justificação, foi útil ou fez sentido no passado.
Libertarmo-nos do "peso" do passado é tão essencial quanto não vivermos ansiosamente aguardando o futuro, para que possamos viver o presente da melhor forma possível.
No nosso crescimento pessoal ou vida espiritual passa-se exatamente o mesmo. Quanto mais estivermos presos aos nosso erros, mais dificuldade temos em caminhar ou evoluir "hoje".
Quanto mais "urgência" tivermos de atingir o "entendimento", de nos encontrarmos a nós próprios ou ao Poder Supremo, mais dificuldade teremos de iniciar novas etapas, porque não estamos atentos aos ensinamentos, sensações e momentos fundamentais do presente.
O Presente é em português um sinónimo de prenda e, na verdade, é exatamente isso que ele é. O Presente é uma dádiva, um milagre, um momento único e irrepetível  e é, de facto, o único "tempo" em que podemos Viver.
Aprecie, desfrute, respire e Viva o seu Presente. Ele foi-lhe dado para que "sinta" e escolha o seu Caminho. Não tenha pressa. O Futuro está já ali, escorregando do imenso ponteiro que delimita a vida.


terça-feira, 16 de setembro de 2014

MANTER O RUMO


Encontrar e entender o Divino, a Alma, Deus, a Energia do Universo ou o Todo é, nesta ínfima parte do Universo que conhecemos, uma preocupação exclusiva dos humanos. Os restantes seres da criação, os quais são sagrados também, aceitam a sua condição e a sua vida com a naturalidade daqueles que não têm pensamento reflexivo, não questionando assim a sua própria existência e natureza.
Todos, homens, animais, vegetais ou minerais, somos obra de Deus, do Todo, de um Ser Superior, ou de seja o que for que lhe queiramos chamar, mas apenas os homens questionam a sua origem, a sua moralidade e o sentido da própria vida.
Cada vez mais, temos a clara noção de que para encontrar Deus, ou o Divino, é necessário que o procuremos dentro de nós próprios. Essa pode ser uma tarefa árdua e difícil. A tarefa de uma vida.
Mas, mais difícil, do que encontrá-Lo dentro de nós, é manter a "chama viva" após um vislumbre de Deus.
Às vezes, até ficamos com a sensação de que quanto maior é a nossa entrega e espiritualidade, mais a nossa vida se torna complicada, mais os problemas nos procuram. O que, de certa maneira, nos parece injusto e incompreensível.
Na verdade, quanto mais próximos de Deus nos sentimos, mais nos encontramos despertos para as dores e injustiças à nossa volta e, simultaneamente, mais nos damos conta das nossas próprias contradições e limitações e mais o nosso ego e a nossa complexa mente se rebelam contra a perda do seu domínio e primazia.
Colocarmo-nos completamente nas mãos de Deus é visto pelo ego e pela mente como uma perda de autocontrolo e, portanto, como algo desconhecido e perigoso.
Por outro lado, o facto de nos colocarmos nas mãos de Deus não nos dispensa de termos que lutar para alcançar os nossos objetivos, de termos que trabalhar árdua e persistentemente nos nossos projetos, nem, muito menos,  da necessidade e capacidade para tomar decisões e fazer escolhas. Não nos "livra" dessa imensa bênção / liberdade e castigo / prisão que é o  livre arbítrio.
Caminhar para o interior de nós próprios é Caminhar para Deus, para o Universo, para Todo incognoscível.
Na maior parte das vezes, esse caminhar é doloroso, acima de tudo, pela resistência que opomos ao próprio Caminho, em virtude da dificuldade que temos em compreender que só teremos acesso ao incognoscível  se abrirmos o nosso coração, pois ele não é passível de ser compreendido ou conhecido pela mente humana. 
Conhecê-Lo e compreendê-Lo está reservado a algo bem maior, mais poderoso e mais sábio que vive dentro de nós. Esse algo é, na verdade, o próprio Deus, o Todo. É aquela Voz que nos fala quando conseguimos, por momentos, silenciar a mente, quando nos distanciamos do mundo materialista. É aquela imensa Energia que vive dentro e em redor de nós. É o infinito Amor que sempre nos envolve, ampara, guia e protege.
Fazer o Caminho é crescer e crescer é, quase sempre, doloroso.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

PETIÇÃO - ORAÇÃO


Meu Deus,

Eu sei que andas muito atarefado com guerras, doenças graves, fomes e todas as consequências terríveis da maldade humana. 
Mas, sei, também, que a Tua dimensão é infinitamente maior do que todas as guerras, doenças, fomes ou maldades e que o Teu Projeto para nós, humanos, não tem a ver com vivermos uma vida de dor e sofrimento, sempre dominados e "tentados" pelo "pecado".
Aquilo que nos propões é que façamos uma Caminho em direção a Ti, ao Universo, aos outros, mas, para que tal aconteça, precisamos caminhar até ao mais profundo de nós mesmos.
Por essa razão me atrevo a aborrecer-te com os meus problemas, medos, falhas, sonhos ou anseios, os quais, comparados com todos esses dramas, se tornam quase ridículos.
Venho pedir-Te que me ajudes:

  • a lutar contra os meus medos e a confiar em mim e na minha capacidade de transformar sonhos em objetivos reais e concretizáveis;
  • a relaxar e a apreciar todas as graças que recebo diariamente, em vez de estar sempre a tentar controlar tudo o que se passa, sem que, obviamente, o consiga;
  • a saber valorizar o que tenho, mesmo que isso não corresponda exatamente aquilo que queria;
  • a levar a vida com leveza, mas, também com garra e persistência; 
  • a não me agarrar tantos às coisas ou pessoas, mas, sim, a aprender a deixá-las livres, para que possam permanecer ou partir;
  • a manter os pés assentes na terra, mas que seja capaz de deixar o meu espírito voar em busca de sabedoria.

Venho pedir-Te que me ensines:

  • a Perdoar, especialmente a mim própria, porque só a um coração/espírito sem ressentimentos é possível voar;
  • a Amar, particularmente a mim mesma, pois só assim poderei saber amar-Te a Ti e aos outros;
  • a Interiorizar que ser Feliz é um direito que adquiri no dia em que criaste a humanidade.
Finalmente, venho pedir-Te para protegeres e encaminhares os meus filhos e toda a minha família. Para os meus filhos peço-Te, ainda, que os ajudes a realizar a minha maior ambição:  Serem felizes e boas pessoas, honestos e confiáveis.
Sei que todos os meus familiares, amigos, conhecidos ou mesmo desconhecidos, Santos e homens bons, assinam esta petição /oração porque ela é genuína e sentida. 
Sei, no mais intimo de mim, que a escutarás hoje e sempre que alguém a faça com sinceridade e amor.

Teresa Varela


Nem sempre sabemos como rezar, mas, de facto, não existe uma forma ou fórmula certa para o fazer. 
Rezar, ou pedir a intervenção divina, é algo que fazemos sempre que o nosso espírito/coração se eleva, se compadece genuinamente, chora ou sorri com sinceridade.
No entanto, muitas vezes, temos dificuldade em nos libertar, em abrir o coração ao Divino, em encontrar a paz dentro de nós próprios, em "caminhar", por essa razão buscamos conhecimento e formas de alcançar a sabedoria, a paz e o próprio Divino.

Aqui ficam algumas ajudas:







sábado, 6 de setembro de 2014

A GRANDE VIAGEM


Rezar é um ato que nos aproxima de Deus, do Universo e da Humanidade. 
Não interessa qual é a religião que professamos ou a corrente espiritual que seguimos, pois é na entrega que fazemos de nós próprios, no quanto pomos do nosso "coração", nessa oração, que ela ganha o poder fantástico para transformar o Mundo.
Não é por acaso que a grande maioria das orações são repetitivas, quer sejam rosários, terços, ladainhas, mantras, sons ou chamamentos. Essa repetição ajuda-nos a alcançar um elevado estado de concentração, o qual nos afasta da nossa dimensão física e das futilidades mundanas, permitindo-nos entrar em conexão com Deus, ganhar um novo entendimento e dimensão e, paradoxalmente, aproximar-nos do Mundo e vê-lo, então, de uma nova, fantástica e quase mágica perspetiva. 
Rezar dessa forma é empreender uma Grande Viagem.
Na verdade, não interessa qual o Caminho que percorremos para encontrar Deus. 
Quer invoquemos Deus, Alá, Jeová, a Deusa, Brama, o Grande Espírito, a Divindade ou o Poder Supremo; Quer rezemos no Santuário de Fátima, junto ao Muro das Lamentações, na hajj a Meca,  com os Monges no Tibet, com um Guru na Índia, numa floresta na Irlanda, num ritual índio, ou na solidão da nossa casa, se a nossa entrega for genuína e rezarmos com o coração, empreenderemos sempre uma Grande Viagem.
Nessa Viagem podemos lutar com fantasmas, monstros ou dragões, em lugares assustadores e, também, viver momentos de inexcedível  êxtase  e comunhão com Deus e o Universo.
Quando o mundo material se dilui e o nosso espírito vagueia na busca de Deus, o espaço e o tempo perdem o significado e partimos ao encontro de nós. Lá encontraremos Deus e a Origem de todas as coisas.
Não existe Viagem mais cheia de aventuras e descobertas, mais longa, mais difícil ou mais assustadora e, simultaneamente, mais extraordinária, reveladora, gratificante, mágica e sublime do que quando viajamos para o interior de nós mesmos, em direção a Deus. E, no regresso, traremos sempre no coração a Serenidade



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

DEUS É ENERGIA

Big Bang


- Ontem, publiquei parte deste mesmo texto, num dos meus outros blogs, mas direcionado para um assunto específico, portanto não exatamente na mesma perspctiva que o venho agora publicar aqui. -

Por natureza,  sou céptica e utilizo, invariavelmente, a dúvida sistemática, em todas as questões importantes da minha vida, quer elas se prendam com valores morais, filosóficos, éticos, legais, sociais, científicos, religiosos, espirituais ou humanos.
No entanto, nunca, ou muito raramente, existiu dentro de mim qualquer dúvida acerca existência de um poder maior e mais inteligente do que o dos humanos, o qual define e conduz de forma intencional o "destino", evolução e transformação do Universo.
Segundo a teoria mais aceite, o Universo "nasceu" do poderoso Big Bang, o qual não passou, descrito de uma forma mais ou menos simplista, de uma enorme explosão ocasionada por uma imensamente grande concentração de energia, num ponto infinitamente pequeno.
A ser assim, podemos dizer que tudo o que existe no Universo, tal como ele próprio, tem a mesma origem e a mesma natureza, ou seja, tem a mesma essência primária. 
As diferenças existentes nesse "tudo" - galáxias, sóis, planetas, montanhas, mares, pessoas, animais, vegetais ou minerais - derivam apenas das infinitas formas como essa energia, ou essência inicial, se recombinou e organizou, transformado-se em matéria. 
Matéria essa que, evidentemente, está imbuída dessa energia primeira. Na verdade, nada mais é do que essa mesma energia.
Assim, cada uma das coisas existentes no imenso Universo não são nada mais do que energia transformada, recombinada, organizada.
Tenho para mim que esta energia primeira é inteligente, autodeterminada e "age" com um propósito definido.
Pelo que não me incomoda, ou escandaliza, que nós humanos tenhamos encontrado formas para tentar identificar e compreender os mistérios da vida e do Universo, através da "criação" de diversos Deuses. Outro tanto não posso dizer acerca das barbaridades que, ao longo dos tempos, os homens têm feito e continuam a fazer, em nome desses mesmos Deuses.
Estes Deuses mais não são do que a essência primeira e, ainda que se lhe atribuam diferentes nomes, Deus é só um, tal como a energia essencial é uma só.
Assim sendo, Deus é energia inteligente, intencional e autodeterminada, sendo ambos, Deus e Energia ou Essência Primária, a mesma e uma única "coisa". As suas formas de se manifestar podem ser tantas, quanta a sua infinita capacidade de se recombinar, transformar e evoluir.
De facto, a minha grande dúvida não se refere à existência, ou não existência, de Deus, mas, sim, ao que existia antes do Big Bang. 
A minha grande dúvida prende-se com o Nada.
Porque a mente humana não tem capacidade de entender, verdadeiramente e de forma interiorizada, o conceito do Nada. Pergunto-me, o que existia, então, antes do Big Bang e o que era esse Nada, no qual aquele pequeno ponto de energia, que lhe deu origem, flutuava?  
Enquanto não conhecemos a resposta para esta questão, temos outras questões que, ainda que complexas, são de mais fácil abordagem.
Assim, voltando à dúvida sistemática, vou colocar diversas questões, as quais põem em causa, exatamente, algumas das afirmações que fiz neste texto e que de alguma forma o desmontam:


Universos paralelos

1. O Universo nasceu de facto do Big Bang?

O Big Bang é apenas uma Teoria cosmológica, acerca do nascimento do Universo, sendo, contudo, a teoria dominante entre os cientistas. Na verdade, ninguém sabe exatamente como nasceu o Universo.

2. Mas afinal o que é o Universo? O Universo é só um, ou existem mais?


"O Universo é constituído de tudo o que existe fisicamente, a totalidade do espaço e tempo e todas as formas de matéria e energia. O termo Universo pode ser usado em sentidos contextuais ligeiramente diferentes, denotando conceitos como o cosmos, o mundo ou natureza."
Não temos forma, ainda, de provar que apenas exista um Universo. Alguns cientistas sugerem, até, a existência de vários Universos, sem aparente ligação entre si. 

3. Tudo o que existe tem energia própria?

Ainda que não consigamos detetar a energia de todas as coisas, não quer dizer que estas não a tenham, pois não conhecemos ainda todas as formas de energia existentes no Universo..

4. É verdade que só existe um Deus?

Não é possível comprovar a existência de um ou mais Deuses. Da mesma forma, não é possível provar  a sua inexistência.

5. Nesse caso, porque afirmo eu que só há um Deus?

A minha afirmação prende-se  com:
  • A existência de Energia em todo o Universo;
  • A capacidade de evolução e transformação do Universo e de todas as coisas nele existentes;
  • O facto de que desde que existe Humanidade, existe também espiritualidade, independentemente de esta se encontrar, ou não, associada a uma determinada religião;
  • O facto dos fundamentos básicos e princípios originais, de todos as religiões e correntes espirituais, serem comuns a todas elas;
  • O poder da oração, vivenciado em todas as religiões;
  • As diversas habilidades e capacidades energéticas humanas, efetivas,  as quais, tantas vezes, são  incompreendidas, desacreditadas, denegridas ou condenadas, apenas porque ainda não temos explicações científicas para as mesmas.
  • O facto de toda a Natureza agir em função de algo que, habitualmente, denominamos como instinto de sobrevivência.


Quanto a mim, as diferentes religiões não são mais do que diferentes formas dos homens viverem a sua espiritualidade. De se conectarem com Deus e com o Universo.
A energia que nos anima detém as memórias do  Todo e, portanto, o próprio Todo, ainda que não consigamos chegar até elas, a não ser por breves e raros momentos de elevação espirítual.
Na verdade, o corpo físico, de cada um de nós, não é mais do que uma carapaça que, durante algum tempo, alberga uma determinada energia que podemos denominar de espírito, alma, essência, ou qualquer outra denominação afim;

6. Se só existe um Deus, por que razão, ao longo dos tempos, os Homens têm feito guerras em nome dos seus diferentes Deuses? E, acima de tudo, por que razão vivem os homens em constante "guerra" consigo mesmos, com os outros homens, com a natureza e com tudo o que os rodeia? No fundo, a questão é por que razão existe o "Mal" se o Deus é só um?

Não existe uma resposta fácil ou verdadeira para esta questão. Se a conhecêssemos teríamos já, certamente, desvendado o maior, mais indecifrável e complexo mistério do Universo.
Se o Universo é feito de Energia e Matéria. Se Deus é igual a essa Energia e Matéria, nada de mau ou negativo deveria existir Nele. Mas, como todos nós sabemos, a energia só realmente se produz e revela quando os pólos que se tocam são opostos. Assim sendo, para cada "coisa" que existe, existe o seu oposto.



A morte opõe-se ao nascimento, a dor à alegria, a maldade à bondade, a noite ao dia, a maré-cheia à maré-vazia, a sabedoria à ignorância, o alto ao baixo, o esquerdo ao direito, o quente ao frio,...................!!!!



Assim, poderemos interpretar que, da mesma forma que o Universo se continua a expandir, também nós continuamos a evoluir. Para que essa evolução seja possível temos que nos confrontar com "dificuldades", temos que conectar-nos com os dois lados de uma mesma realidade. Esses dois lados, que para facilitar denominamos de bem e de mal, porque opostos, entram em choque e é, acima de tudo, desse choque que resulta a energia que nos permite evoluir.
E é aqui que voltamos ao Nada, esse Nada que desconhecemos, mas que, pela lógica, é o oposto do Universo.
No dia em que os nossos espíritos alcançarem a compreensão do Nada, será o dia em que toda a complexidade do Tudo desaparecerá, eliminando os opostos e originando  a Unidade.
Acontece que desta  última afirmação resulta algo que contradiz, em parte, o que afirmei no texto inicial. Mas, só seria possível descobrir-se essa contradição após analisarmos aquilo que conhecemos.
Assim, aquilo que conhecemos e compreendemos, embora ainda com muitas lacunas, é o Universo. Aquilo que desconhecemos, não compreendemos e de que não temos qualquer representação é o Nada (a ausência de Universo).
Portanto, a afirmação de que o Universo é igual ao Tudo e, portando, igual a Deus deixa de ser verdadeira, pois o Tudo, tal como Deus, são constituídos, simultaneamente, pelo Universo e pelo Nada.
Por que razão faço esta afirmação? Bem, voltemos então ao princípio. Segundo os cientistas, o Universo nasceu da explosão de um pequeno ponto que continha uma imensa energia. Segundo os Génesis, primeiro havia as Trevas.



O pequeno ponto, necessariamente teria que estar em algum "lugar" e que ter nascido de algo. Então, chamemos a esse "lugar" e a esse algo o Nada ou o Não Universo ou, alternativamente, as Trevas.
Se Deus é pré-existente à criação do Mundo/Universo, então Ele é também, o Nada, o Não Universo, e as Trevas.
Nós homens tentamos, muitas vezes, reduzir Deus à nossa diminuta dimensão, atribuindo-lhe características, humores, exigências, preconceitos, limitações ou leis que são meramente humanas.
Negociamos com Ele as nossas vidas, projetos, sonhos, desejos ou dores, absolutamente alheios à imensa dimensão de Deus que, obviamente, não está "preocupado" com o pecado, ou se comemos carne ou peixe, com o tamanho do decote, o comprimento da saia, ou qualquer outra pequenez humana
Na verdade Ele é algo que ainda não compreendemos. 
Porque Ele é o Tudo, é, também, cada um de nós. Está presente em cada um de nós. Mas, enquanto Ele é a Harmonia entre os opostos (Universo vs Não Universo - Ponto de Energia vs Nada; Trevas vs Luz), nós, na busca contínua de darmos sentido à nossa existência, debatemo-nos entre o Bem e o Mal, agindo, muitas vezes, como dementes ou seres maléficos.
A dimensão de Deus é Infinita, no sentido de que Ele é bem maior do que o Universo que, por si só, já nos parece infinito,  Ele é o conjunto do Universo e do Não Universo  (Nada).
Então, enquanto não atingirmos o entendimento do Nada, não conseguiremos compreender a verdadeira dimensão de Deus, nem atingir a União total com Ele.  


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

LEI DA ATRAÇÃO OU TEORIA DO CAOS

Sincronia

Hoje li um artigo no Portal STUM que achei excelente, quer pela forma como está escrito, clara e acessível, quer pela desmistificação que faz de certas "verdades" que circulam por todo o lado, as quais induzem as pessoas em erro, acabando estas por se sentir extremamente culpadas de tudo de mal que lhes acontece na vida.
Segundo a Lei da atração, nós temos o poder e a força para conseguirmos alcançar tudo o que queremos da vida. Basta acreditarmos e pedirmos ao Universo, mas, atenção, tem que ser da forma correta, caso contrário o Universo não entende nada e acaba por nos dar mais do mesmo, ou seja, exatamente aquilo que nós não queríamos.
Para muitos, esta "Lei" pode ser extraordinariamente cruel e inclusivamente levar ao surgimento e agravamento de depressões, pois a cada tentativa falhada, mais e mais a pessoa se vai convencendo de que tudo o que lhe acontece de mau é inteiramente sua culpa, pois não sabe "pedir" da forma correta.
Lei da Atração

Obviamente que todos nós sabemos que todos os nossos atos têm consequências, mesmo os mais inócuos e simples. Portanto, evidentemente, se tivermos baixa autoestima, pensamentos depressivos, se formos pouco afáveis, caridosos, eficientes, o retorno será em conformidade com o que demos. Da mesma forma, se tivermos uma atitude positiva, se formos eficazes e eficientes, se acreditarmos em nós próprios, se formos caridosos, amáveis, etc., nem tudo serão rosas, mas certamente, estaremos armados para lutar contra a adversidade e teremos sempre quem nos estenda a mão, até nos piores momentos.
Na verdade, mesmo o pior dos momentos, mesmo a catástrofe mais terrível faz parte de um todo, por vezes, caótico, mas paradoxalmente repleto de sincronia, harmonia e um propósito inteligente.
O que não conhecemos, ainda, não é fantasmagórico, surreal ou antinatural.  O que não conhecemos ou não entendemos faz parte do TODO. Desse Universo fantástico, nascido da energia e do caos. Tudo o que existe, de certa forma, é apenas energia, a qual se materializa e transforma de infinitas maneiras.

Seguidamente transcrevo, na integra a publicação do STUM

Teoria do Caos - Efeito Borboleta


No aparente caos, a sincronia


A ligação entre os acontecimentos, em determinadas circunstâncias, pode ser de natureza da ligação casual e exige um outro princípio de explicação". (Carl Jung)

No universo, nada conspira a favor ou contra, e julgamento, punição e castigo simplesmente não existem. Tudo que há no universo é um sincronismo matemático e preciso que faz com que ação e reação subexistam como o princípio e o fim de todas as coisas. Assim, em todas as circunstâncias que vivenciamos, estamos experimentando a inexorável Lei de Causa e Efeito em sintonia com as demais leis naturais.

No início da década de 1960, o meteorologista americano Eduard Lorenz descobriu que fenômenos aparentemente simples têm um comportamento tão caótico quanto a vida-morte. Ele chegou a esta conclusão ao testar um programa de computador que simulava o movimento de massas de ar. Um dia, Lorenz teclou um dos números que alimentava os cálculos da máquina com algumas casas decimais a menos, esperando que o resultado mudasse pouco. Mas a alteração insignificante transformou completamente o padrão de massas de ar. Para Lorenz era como se "o bater de asas de uma borboleta no Brasil causasse, tempos depois, um tornado no Texas". Com base nessas informações, ele formulou equações que mostravam o tal "efeito borboleta".

Estava fundada a "Teoria do Caos". Com o tempo, cientistas concluíram que a mesma imprevisibilidade aparecia em quase tudo, do ritmo dos batimentos cardíacos às cotações de bolsa de valores. Na década de 70, o matemático polonês Benoit Mandelbrot deu um novo impulso à teoria, ao notar que as equações de Lorenz batiam com as que ele próprio havia feito quando desenvolveu os fractais, figuras geradas a partir de fórmulas que retratam matematicamente a geografia da natureza, como o relevo do solo ou as ramificações de nossas veias e artérias. A junção do experimento de Lorenz com a matemática de Mandelbrot indica que o caos parece estar na essência de tudo, moldando o universo.

"As equações de Lorenz para o caos das massas de ar surgem também em experimentos com o raio laser, e as mesmas fórmulas que regem certas soluções químicas se repetem quando estudamos o ritmo desordenado das gotas de uma torneira", afirma o matemático Steven Strogatz, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Isso significa que pode haver uma estranha ordem por trás de toda a imprevisibilidade. 
Segundo a Lei Natural de Destruição, é necessário que tudo se destrua para renascer e regenerar porque a isso que o homem chama de destruição, não é mais que transformação, cujo objetivo é o melhoramento dos seres vivos. No entanto, quando predomina a destruição abusiva promovida pelo homem, toda ação que ultrapassa os limites da necessidade é considerada uma violação da leis naturais.

No contexto cósmico no qual inserimos vida e morte, entendidos como equilíbrio, desequilíbrio, transformação e renascimento, existe a vida em um planeta chamado Terra: um aparente caos, cuja temida morte envolve ocorrências individuais ou coletivas ainda não percebidas no seu sincronismo universal regido por leis naturais. 
No movimento da gangorra entre a destruição (morte, desaparecimento) e a renovação (vida, renascimento), ocorrem inúmeras situações que passam despercebidas pelo ser inteligente ainda cativo de seu egocentrismo. Não percebemos, por exemplo, que o movimento da gangorra existencial depende exclusivamente de nossas próprias escolhas durante o processo vital, ou que a "saúde" do planeta em que habitamos, também depende de nosso livre-arbítrio.

Morte e vida, destruição e criação, são engrenagens de um fantástico mecanismo chamado existência, que se aplica no macro e no microssistema, orientado pelas leis naturais que estão por trás da Teoria do Caos formulada pela ciência, e que interfere na vida humana através do livre-arbítrio. Cujo reflexo, tanto no sentido individual quanto coletivo verificamos nas consequências, que podem ser traduzidas como experiências de morte ou como experiências de vida. 
No aparente caos cósmico, que representa o ciclo de vida e morte, encontramos a sincronia de macro e micro mecanismos indispensáveis ao movimento expansionista do universo, cujo objetivo maior é a evolução das espécies vivas contida na Lei Natural do Progresso, que interdepende das demais leis naturais.
Portanto, o conhecimento de si mesmo encontra-se na relação direta de conhecimentos essenciais que apuram a percepção do eu que transcende o aqui-agora e desperta para a consciente inclusão no sincronismo do universo.

Nesta direção, conhecimentos e saberes estão em sintonia com o processo de autoconhecimento. É o caminho que leva às "escavações" que podem revelar o mistério de "haver uma estranha ordem por trás de toda imprevisibilidade", como suspeitou Strogatz.